HERDEIROS DO CAMPO – Sucessão familiar no meio rural

in Jorge Roberto/Paranavaí by

“Nem todo herdeiro é sucessor, mas todo sucessor
tem que ter competência”, diz Poloni em Paranavaí

“A sociedade (…) precisa pensar nas estruturas e nos investimentos que as famílias têm, as suas
propriedades e como permanecer com todos estes investimentos em funcionamento. Então a preocupação
maior é como ter a continuidade dos processos de desenvolvimento econômico, dos investimentos e
capitais das famílias (…). Culturalmente, as sucessões acontecem por exclusões. A maioria das pessoas
pensam em sucessão quando acontece o ato sucessório. O ato sucessório acontece para todo mundo”.
O comentário foi feito na manhã desta quarta-feira (31), no auditório do Sindicato Rural de
Paranavaí, pelo consultor da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, Antônio Poloni, ex-secretário
estadual de Agricultura (Governo Jaime Lerner), ao apresentar o programa “Herdeiros do Campo”, que
objetiva transformar herdeiros em sucessores. O programa da FAEP reconhece que a sucessão familiar é
um desafio no negócio rural. “Herança todos têm direito, sucessão é um trabalho de gestão do processo
produtivo e dos investimentos que foram feitos ao longo dos anos”, diz ele, esclarecendo a diferença entre
herdeiro e sucessor.

Com a apresentação do “novo produto” da FAEP, como diz Poloni, a alguns possíveis
interessados no assunto, o Sindicato Rural de Paranavaí, abriu as inscrições para o curso “Herdeiros do
Campo”, que será realizado tão logo se forme um grupo entre 10 e 12 famílias. O curso terá como
objetivo despertar a família rural para o planejamento sucessório. Serão cinco encontros de oito horas e
uma orientação de duas horas por família, com intervalos entre 7 e 15 dias.
TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO – Poloni deixa claro que o objetivo da FAEP não
é intervir no processo sucessório, algo que considera íntimo de cada família. “O que queremos é transferir
conhecimento sobre a sucessão, aculturar as pessoas para que elas invertam o processo sucessório: em vez
de fazer por exclusão, fazer por planejamento. Porque por exclusão, temos percebido que normalmente dá
muitas perdas, perdas de capital, perdas de dinheiro, perda de tempo, muitas vezes gera conflito e provoca
até a interrupção do processo produtivo da propriedade, da empresa agrícola”, explica o consultor.
Para o ex-secretário de Agricultura do Paraná o planejamento sucessório, com a continuidade do
processo produtivo gera vantagens para todos. “Nem todo herdeiro é sucessor, mas todo sucessor tem que
ter competência. Então a família tem que trabalhar um processo de gestão melhor da propriedade,
começar a estudar quem vai no futuro tocar aquela propriedade para que todos os membros, para que
todos os herdeiros continuem usufruindo de tudo aquilo, de todo o capital que a família teve tanto
sacrifício dos pais para poder montar”, acrescenta Poloni.

A questão de herança e da sucessão do gestor é, em geral, um tabu. “Já existem famílias que
estão trabalhando o processo sucessório, mas a regra é que as famílias ainda tem um tabu em falar sobre o
assunto. Esse curso vem para quebrar o gelo entre as gerações que estão juntas e que precisam planejar
juntas, que precisam discutir como continuar com o processo”, alerta ele.

Enquanto em alguns países o tema “sucessão” já faz parte do currículo educacional, no Brasil
ainda há necessidade de se quebrar o paradigma. E trazer as duas gerações para conversar sobre o assunto.
“Esse curso não se faz sem as duas gerações presentes, se não tiver as duas gerações a pessoa
não participa do curso, porque tem que ter o entendimento jurídico, há uma aula sobre o conhecimento
jurídico desse processo, para que as pessoas comecem a dialogar sobre ele (o assunto) e encontrar as
melhores soluções lá na frente”, explica Poloni, que revela que em projetos pilotos os produtores rurais
apontaram que tinham dificuldades em abordar o assunto. “As pessoas diziam (nos projetos pilotos) que o
tema era um nó que tinham e agora podem conversar com o filho, com a filha, os filhos podem conversar
com o pai”.
Questionado se o tabu era em consequência de herança estar ligada a morte, Poloni disse que no
curso “nós não falamos de morte, nós falamos de continuidade. Mas falar de sucessão é achar que era
falar que está morrendo. Tem que desmistificar isso e mostrar que é planejamento. Quem não quer que
tenha continuidade o investimento? Todo mundo quer. Então porque não falar dessa continuidade? Da
segurança que nossos filhos vão ter uma vida melhor e usufruir de tudo aquilo que nós fizemos? Porque
não falar sobre isso e preparar isso”, questiona ele.

Máquina de Vendas

Willian de souza Faria nasceu dia 12/04/1985 na cidade de Jaú no estado de São Paulo. Participante da elaboração da Revista Guia, criação de Dorival Nascimento. Em 2013, Willian Faria prestou serviço como assessor de imprensa da Casa de Apoio Vale do Ivaí, empresa que atua no setor da saúde na capital do estado do Paraná. Em Curitiba o trabalho ocupou período integral de sua carreira, onde aprendeu a trabalhar com assistencialismo. No ano de 2014 atuou como assessor do Deputado Federal Zeca Dirceu (PT). Passou pela assessoria de imprensa da Prefeitura de Nova Londrina e atua como assessor de imprensa do prefeito Vico. Foi assessor de comunicação social da Prefeitura de Marilena (PR), e possui experiencia em consultoria política.

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